Porque surreal é a vida

 Enquanto a Odisseia não deslancha (até agora, foram só lamentos, recordações, oh glorioso filho de Zeus para cá e para lá), e já que hoje  é o Dia Nacional da Poesia, acho que vale a pena compartilhar um poema que conheci nesta semana.

Como já comentei por aqui, nunca fui muito chegada a poesia. Sou inquieta, penso em mil coisas ao mesmo tempo, e a leitura de poesias nos tempos do colégio exigiam da gente um tempo para decifrar, refletir o que o poeta quis dizer.

Mas eu descobri que poesia pode ser como aquelas canções que você escutou a vida inteira sem dar muita bola, quando, de repente!, você descobre o sentido dela. E ela vira uma das suas preferidas.

Esta semana conheci (ou revi, sei lá, talvez já tivesse lido alguma vez em um remoto passado escolar) o poema Teresa, do Manuel Bandeira.

E para ilustrar este poema surrealista, escolhi uma tela do Ismael Nery, cujo título o Google bem que procurou, mas não conseguiu encontrar pra mim.

Teresa 

A primeira vez que vi Teresa
Achei que ela tinha pernas estúpidas
Achei também que a cara parecia uma perna

Quando vi Teresa de novo
Achei que os olhos eram muito mais velhos que o resto do corpo
(Os olhos nasceram e ficaram dez anos esperando que o resto do corpo nascesse)

Da terceira vez não vi mais nada
Os céus se misturaram com a terra
E o espírito de Deus voltou a se mover sobre a face das águas.

Quando os números deprimem…

… pelo menos surgem boas notícias para nos darem esperança.

Eu me explico: em novembro de 2010, a revista Superinteressante publicou os seguintes dados sobre a leitura no Brasil:

No entanto, recentemente a revista Veja publicou a seguinte reportagem de capa:

Na matéria, a revista destaca o fenômeno de vendas do livro Ágape, de Marcelo Rossi, além de outros títulos de diferentes gêneros que estão habituando os brasileiros a frequentarem livrarias.

Claro, sempre aparecem na internet depois opiniões do tipo “para a revista Veja, ler lixo é sinal de progresso”.

Mas não compartilho dessas ideias. Quem acompanha este blog sabe o que eu penso: não existe leitura ruim. Ruim é deixar de ler por preconceito, por preguiça ou, pior de tudo, por arrogância.

Que venha o livro religioso! Que venha a autoajuda e o romance de vampiros!

O importante é os brasileiros perceberem que os livros existem, e que eles podem ser guias, amigos, companheiros de todos os momentos.

 

Como tudo começou

Eu ainda não sabia que um dia escreveria um blog sobre livros. Blog era uma coisa que ainda nem tinha sido inventada.

Eu não sabia que um dia seria jornalista. Eu nem sequer sabia que aquilo também era jornalismo.

Mas eu tinha 11 anos, e era um poço de curiosidade.

Por isso, quando minha mãe me presenteou com O Guia dos Curiosos, eu li e reli a obra tantas vezes que ela ficou toda amassada.

E neste fim de semana de Carnaval, 12 anos depois, enquanto metade de São Paulo congestionava as estradas rumo ao litoral, eu conheci o grande jornalista que estava por trás deste que foi um dos livros mais marcantes da minha infância: Marcelo Duarte.

Tudo por causa do Edição Extra, programa de TV universitário que eu ajudo a colocar no ar pela TV Gazeta, no primeiro domingo de todo mês. Marcelo Duarte vai ser o nosso “Perfil” de março.

Então me digam: tem profissão mais legal do que essa?

Boa quarta-feira de cinzas para todos!